sábado, 13 de setembro de 2008

Isso ocorria nos fundos de casa


Uma situação exemplar de alegria humana e infantil. O contato com a natureza era algo extremamente e exatamente extasiante. Ficava, com cinco anos, definitivamente encantado. Nada mais harmonioso do que minha presença e integração àquele pequeno mundo, porém para mim de uma exuberância radiante.
Era capaz de ficar sentado horas à margem do rio atirando pedrinhas para vê-las deslizando pela água. Ouvir o barulho das folhas secas. Eram estalos ritmados e acolhedores.
Os peixes, como que por encanto, vinham acima das águas como foguetinhos rápidos. Isso era na minha casa, nos fundos, em Minas Gerais. Aqueles peixes quando apareciam brilhavam no ar como diamantes. Ficavam 1 metro acima da água, depois viravam e caiam na água rindo e eu achava tudo aquilo lindo. Me sentia unido àquela natureza.
Meu porquinho andava pelo quintal e às vezes dava seus gritinhos e rolava no chão ficando encardido pela terra acinzentada.
Do outro lado da margem do rio, os micos ficavam como eu, atirando pedras na água. Outros pulavam de galho em galho. Eles entravam na água e se banhavam felizmente, tentavam apanhar os peixes e ainda bem que não conseguiam.
Quando saía na porta da cozinha, podia ver a minha direita, lá no fundo, uma bica de água cristalina. A água caía, batia nas pedras e era musical, o barulho. Ela era fria e saborosa. Para mim, aquilo era prazer, integração e harmonia com a natureza.
Ano passado voltei lá: tristeza. Acabaram com tudo.

Prof Pedro Luiz da Silva – Português 04/03/2007

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